Esta oficina teórico-prática presencial, propõe um mergulho na “arte do brilho” de tradição islâmica, com ênfase na tradição persa, explorando a precisão dos padrões ornamentais, os motivos vegetais, a fluidez das paisagens, a riqueza das cores e os materiais e procedimentos que circularam pelos caminhos do comércio e dos intercâmbios culturais da Rota da Seda. Podemos dizer que a iluminura persa, no contexto mais amplo das artes do livro no mundo islâmico, constitui uma verdadeira jornada visual, na qual a ornamentação geométrica, os arabescos, os motivos florais, a caligrafia, o douramento e o lirismo da natureza se articulam em composições de grande refinamento. Ao adornarem os textos, as tradições islâmicas — especialmente as persas, mas também em diálogo com tradições árabes, otomanas e indo-persas — articulavam palavra, imagem, ornamento e contemplação em uma linguagem visual de longa duração, marcada por intensos intercâmbios culturais, técnicos e simbólicos com outras culturas orientais, como a chinesa e a indiana. A pintura em miniatura desenvolvida na Pérsia e, posteriormente, em diálogo com as tradições otomana e mughal, é uma arte meticulosa, vinculada à ilustração de manuscritos, à ornamentação de livros e, mais tarde, à organização de álbuns colecionáveis, conhecidos como álbuns muraqqa‘. Esses álbuns reuniam pinturas, desenhos, exercícios caligráficos e folhas decoradas, permitindo a circulação, o colecionismo e a preservação de obras de grande delicadeza visual. Entre os séculos XIII e XVI, no contexto dos intensos contatos culturais favorecidos pelas rotas comerciais e artísticas da Eurásia, essa forma de arte alcançou grande sofisticação. Suas composições destacam-se pelas cores vibrantes, pelos detalhes em ouro, pela minúcia decorativa e pela representação de cenas cortesãs, literárias, míticas e religiosas. Em muitos casos, nota-se também a presença de influências chinesas, perceptíveis em elementos como nuvens, dragões, montanhas, paisagens estilizadas e certos modos de composição que circularam pelos caminhos da Rota da Seda. Em diálogo com outras tradições cristãs de manuscritos iluminados — e.g.: bizantinas, góticas e renascentistas —, a iluminura persa constitui uma das expressões mais refinadas da arte do livro no mundo islâmico. Trata-se de uma arte voltada à exaltação da beleza, à precisão ornamental e à elaboração paciente de imagens, por meio de processos artesanais sofisticados, que podiam demandar um longo tempo de preparação e execução. Os manuscritos iluminados e as miniaturas de tradição persa conheceram um momento de grande florescimento no século XVI, especialmente durante a era dos impérios Safávida, Mughal e Otomano. Nesse contexto, a arte do livro tornou-se um espaço privilegiado de confluência entre diferentes civilizações, tendo como denominador comum a centralidade da caligrafia, da ornamentação e da relação entre palavra, imagem e contemplação. Objetivos gerais Proporcionar aos participantes uma compreensão histórica, estética e técnica da iluminura persa e de suas relações com outras tradições da arte do livro no mundo islâmico, capacitando-os a identificar elementos formais característicos e a executar uma peça autoral utilizando métodos tradicionais adaptados à contemporaneidade. Objetivos específicos Histórico: analisar a evolução dos manuscritos iluminados e das miniaturas persas entre os séculos XIII e XVI, considerando sua relação com a caligrafia islâmica, a ornamentação geométrica e vegetal, os intercâmbios culturais da Rota da Seda e as influências visuais provenientes de outras tradições orientais. Técnico: introduzir o uso de materiais tradicionalmente associados à pintura sobre papel, como a preparação do suporte, o uso de guache, têmpera, pigmentos e folhas metálicas — como ouro e prata — e orientação sobre o uso de recursos artísticos contemporâneos. Prático: desenvolver o traçado de padrões ornamentais, o desenho de motivos florais e vegetais, a composição e...