
Dia das Crianças | A Cutia e os Encantados da Mata, com Juliana Costa
About the event
Atividade presencial e gratuita, sem necessidade de inscrição. O 12 de outubro guarda contradições profundas no Brasil: a data que marca o início da invasão europeia no continente virou, com o tempo, uma imensa vitrine de consumo. Na contramão dessa lógica de mercado, o Museu das Culturas Indígenas (MCI) convida o público no dia 17 de outubro de 2026 para a vivência Dia das Crianças | A Cutia e os Encantados da Mata. Para os povos originários, a infância não se mede por brinquedos empacotados, mas por laços comunitários, acolhimento, liberdade e contato direto com a terra. A atividade será conduzida pela artista-educadora Juliana Costa, pertencente a uma família do povo Tremembé – comunidade cearense que historicamente recusa o silenciamento e mantém viva a força de sua identidade. Mobilizando saberes da tradição oral e memórias de sua própria infância, Juliana propõe uma passagem ativa pela floresta. Longe da postura de quem apenas assiste, as crianças usam o próprio corpo para brincar, cantar e encarar atravessamentos. A vivência acontece em cinco movimentos integrados: Acolhida e a História da Cutia: ao ritmo de um carimbó, a roda se abre para o canto. Juliana apresenta a história da Cutia, discutindo as transformações impostas pela ação humana na natureza, e puxa a transição para as brincadeiras com a Embolada do Macaco. Os Caminhos do Xondaro: inspiradas no treinamento corporal Guarani, as crianças encaram desafios guiados por um cabo de madeira. Saltando e abaixando, elas experimentam a percepção de que caminhar pelo território exige atenção, equilíbrio e escuta coletiva. A Pontaria do Estilingue: a artista transforma uma memória familiar vivida com seu pai em transmissão de saberes. Com supervisão, a brincadeira de acertar o alvo trabalha a concentração e a precisão de forma lúdica. O Encontro com os Encantados: a mata revela seus bichos. O enorme boneco do Jaraguá aparece perseguindo as crianças, seguido pelos cantos da Onça. Por fim, cobras de tecido e madeira passam de mão em mão até formarem um grande círculo. A Marca do Urucum: o grupo retorna à roda para conhecer o uso do urucum nas culturas indígenas. Como gesto de autoafirmação, quem desejar pode receber ou aplicar a pintura no outro, levando na pele o registro vivo dessa experiência. Sobre Juliana Costa É artista-educadora, escritora, brincante e contadora de histórias tradicionais, de família indígena Tremembé do Ceará. Cresceu em meio à tradição oral, ouvindo de seus pais histórias sobre os seres da mata, os encantados, os animais e os mistérios da natureza. Conta histórias desde a infância e, aos 19 anos, iniciou sua trajetória profissional realizando apresentações para diferentes públicos. É formada em Pedagogia pela UNIRIO e possui trajetória de formação e pesquisa voltada às culturas tradicionais, indígenas e afro-brasileiras, à oralidade, à educação, às brincadeiras populares, à memória e aos saberes ancestrais. Sua prática como artista-educadora também é construída a partir dos conhecimentos transmitidos por sua família e do encontro com mestres, brincantes e lideranças de culturas tradicionais. Ao longo de sua trajetória, apresentou-se em importantes espaços culturais, como CCBB Rio, MAM Rio, Museu do Pontal, Museu do Folclore/IPHAN, Parque Lage, Teatro Popular de Niterói, bibliotecas, feiras literárias e festivais de contadores de histórias. No SESC, já realizou apresentações e ações educativas em diferentes unidades de São Paulo e do Rio de Janeiro, além de ter levado seu trabalho de contação de histórias e cultura tradicional para ações realizadas na Paraíba e no Ceará. Juliana também possui experiência no campo da educação, tendo atuado como educadora-brincante pelo Programa de Iniciação Artística (PIÁ) e como educadora de culturas indígenas e africanas em ONGs, desenvolvendo atividades que aproximam infância, arte, território, ancestralidade e educação. As histórias que compõem grande parte de seu repertório foram aprendidas com seus pais e…




